A rara síndrome pós-orgasmo que só afeta homens

Doença faz com que pacientes apresentem sintomas como febre, fadiga, diarreia e congestão nasal após a ejaculação. Para algumas centenas de homens em todo o mundo a experiência de um orgasmo pode não estar ligada ao prazer. Isto ocorre por causa da síndrome da doença pós-orgásmica (POIS, na sigla em inglês), um problema raro que […]

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13 out 2016 Por G1 11h19

Doença faz com que pacientes apresentem sintomas como febre, fadiga, diarreia e congestão nasal após a ejaculação.

impotencia

A diferença de sintomas entre os pacientes dificulta a busca por uma cura (Foto: Vera Atchou/AltoPress/PhotoAlto/AFP)

Para algumas centenas de homens em todo o mundo a experiência de um orgasmo pode não estar ligada ao prazer.

Isto ocorre por causa da síndrome da doença pós-orgásmica (POIS, na sigla em inglês), um problema raro que afeta exclusivamente os homens.

Os sintomas vão desde cansaço e febre até diarreia e ocorrem como consequência de um orgasmo.

A doença foi identificada em 2002 pelo cientista holandês Marcel Waldinger, neuropsiquiatra da Universidade de Utrecht, na Holanda.

E, até o momento, o médico conseguiu encontrar pouco mais de 200 homens que sofrem desta síndrome.

Mas ele acrescenta que a doença pode ser mais comum do que se pensa.

Geralmente muitos homens não falam sobre o problema por conta da vergonha e confusão que os sintomas causam. Outros sequer sabem que têm o problema.

Causas?
Desde que o problema foi descoberto os cientistas identificaram várias possibilidades de causas, de uma possível alergia ao próprio sêmen ou em função de um distúrbio neurobiológico.

Alguns pacientes enfrentam o transtorno durante toda a vida adulta, o chamado “POIS Primário” Em outros casos, chamados de “POIS Adquirido”, a doença se desenvolve com o passar dos anos.

Isto levou Waldinger a acreditar que o problema poderia ter uma base psicológica.

Em 2016 foi realizado um novo estudo com 45 homens que sofrem da doença e da análise dos resultados surgiram novas teorias para explicar a origem da POIS.

Os pesquisadores adicionaram à lista de causas uma reação autoimune ao plasma seminal. Os cientistas acreditam que esta reação alérgica pode ser tratada com injeções regulares de sêmen diluído.

Este tratamento ainda está em fase experimental e só foi administrado em dois pacientes.

O relatório mais recente de Marcel Waldinger afirma também que a síndrome poderia estar ligada a uma disfunção da glândula pituitária e também à deficiência de testosterona.

Barry Komisaruk, cientista especializado em respostas neuronais a estímulos sexuais e diretor do Programa de Pesquisa Biomédica da Universidade de Rutgers, em Newark, Estados Unidos, também iniciou sua própria pesquisa.

Na teoria desenvolvida por Komisaruk a causa da doença está ligada ao nervo vago ou pneumogástrico, um nervo craniano que envia impulsos para quase todos os órgãos.

Komisaruk afirma que, nos casos de homens que sofrem com a síndrome, este nervo poderia estar atrofiado.

“Muitos dos sintomas que os pacientes apresentam são mediados pelo nervo vago”, explicou.

Sintomas
Entre os sintomas que Waldinger identificou nos pacientes que sofrem da doença está o cansaço extremo, dificuldades de memória e problemas de concentração.

Cerca de 85% dos pacientes do médico holandês sofrem com isso.

Eles também sofrem de debilidade da musculatura, febre ou sudorese extrema, diarreia, calafrios, alterações do estado de ânimo, geralmente irritabilidade, discurso incoerente, congestão nasal e olhos ardendo.

Todos os sintomas aparecem depois do orgasmo, alguns segundos, minutos ou poucas horas após a ejaculação.

E, para piorar, a maioria destes sintomas pode durar entre dois e cinco dias.

Tratamento difícil
Homens que sofrem com a síndrome da doença pós-orgásmica participam de um fórum para compartilhar suas experiências, o Fórum POIS Center, e falar sobre truques para tentar driblar os sintomas.

Mas as variações de sintomas de um paciente para outro faz com que o desenvolvimento de um tratamento único seja ainda mais difícil.

Pacientes já tentaram tratamentos à base de vitaminas e adesivos de testosterona, além da eliminação de todos os laticínios de suas dietas.

Outros, já em desespero, tomam sedativos e antibióticos.

No entanto a má notícia é que, até o momento, a única medida que realmente parece funcionar é a abstinência sexual.

E, pelo fato de os pesquisadores ainda não saberem qual a causa ou causas exatas do problema, dificulta o desenvolvimento de um remédio eficaz.

Mas, como afirmam muitos usuários do Fórum POIS Center, o importante por enquanto é divulgar mais a doença. Com mais pessoas falando sobre a síndrome e conhecendo a doença, maiores serão as chances de se encontrar uma cura.

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