Embrapa Pantanal divulga resultados de estudos sobre anemia infecciosa equina

De 27 a 29 de setembro, os produtores de Rio Verde de Mato Grosso (MS) e região poderão discutir a anemia infecciosa equina (AIE) no Pantanal – uma doença viral incurável que ataca cavalos, burros, mulas e jumentos. Na próxima semana, a cidade irá receber o IV Workshop do projeto “Anemia Infecciosa Equina no Pantanal […]

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22 set 2016 Por Redação 10h26
Workshop com palestras e mesas redondas marca a conclusão de projeto de pesquisa

Workshop com palestras e mesas redondas marca a conclusão de projeto de pesquisa

De 27 a 29 de setembro, os produtores de Rio Verde de Mato Grosso (MS) e região poderão discutir a anemia infecciosa equina (AIE) no Pantanal – uma doença viral incurável que ataca cavalos, burros, mulas e jumentos. Na próxima semana, a cidade irá receber o IV Workshop do projeto “Anemia Infecciosa Equina no Pantanal brasileiro: caracterização do agente, diagnóstico molecular, avaliação de práticas de manejo e modelagem quantitativa”, coordenado pela Embrapa Pantanal com o apoio do Sindicato Rural de Rio Verde de Mato Grosso e com o patrocínio da Bioclin/Quibasa Química Básica Ltda.

Com palestras, mesas redondas e reuniões, pesquisadores e trabalhadores rurais poderão abordar a enfermidade silenciosa que põe em risco a saúde dos equídeos e traz prejuízo ao bolso dos produtores. “O animal positivo rende menos, tem menos resistência. Ele vai trabalhar, mas não como aquele que não é portador do vírus. A gente observa, por exemplo, que na época em que o pasto está muito ruim e que o Pantanal enche, muitos animais contaminados morrem. Nós pudemos concluir que os positivos morrem mais cedo”, afirma a pesquisadora Marcia Furlan, que coordena o projeto de pesquisa.

Como a doença nem sempre apresenta sintomas visíveis, Marcia conta que ela passa despercebida em muitas propriedades rurais. “Uma estratégia que alguns produtores usam é compensar o baixo desempenho dos animais positivos com mais animais na tropa. Só que, para manter mais animais, há necessidade de mais pasto e sal. Com isso, um pasto que não seria suficiente para uma tropa pequena, por exemplo, rende menos ainda com uma tropa maior”, diz.

Temas do Workshop

Além dessas questões, assuntos como o inquérito epidemiológico sobre a doença em MT, o mormo e o sequenciamento do vírus da AIE são alguns dos tópicos que serão abordados durante o evento. “A gente passou a saber que este é um vírus diferente do padrão”, diz Marcia. A pesquisadora ressalta outros temas que farão parte do IV Workshop: o desempenho do animal infectado comparado ao dos que não são portadores (com ênfase na performance do cavalo no campo), análises econômicas da AIE para as propriedades rurais e modelos matemáticos abordando a influência da mutuca na contaminação dos animais.

“Nós acompanhamos uma tropa de 500, 600 animais durante três anos para ver de que maneira eles se infectavam e para atestar se os positivos morrem mais cedo ou não, tentando implantar algumas regras de manejo”, afirma. Segundo a pesquisadora, foi possível concluir que o maior vetor do vírus é o ser humano. “Por meio do manejo inadequado, nós estamos infectando os animais – principalmente pela reutilização de agulhas e seringas. Em um caso como esse, se um dos animais da tropa é positivo, o vírus que está no sangue dele vai entrar em contato com os outros e infectar o resto da tropa”.

Como prevenir

Para evitar a transmissão da AIE entre os animais, devemos impedir que eles entrem em contato com o sangue uns dos outros, diz Marcia. Para isso, é preciso usar agulhas e seringas descartáveis, lavar freios, tralhas e bridões com água e sabão após o uso e utilizar apenas esporas rombas e grossas para não ferir a montaria. “É um trabalho que precisa ser constante. A gente pretende continuar os esforços, especialmente no que diz respeito à educação sanitária. Vamos continuar a informar o que é correto”, finaliza.

As palestras, apresentações e reuniões do projeto são gratuitas e abertas ao público em geral. Confira mais informações sobre o Workshop: (As informações são da Ascom Embrapa Pantanal)
Serviço

IV Workshop do projeto “Anemia Infecciosa Equina no Pantanal brasileiro: caracterização do agente, diagnóstico molecular, avaliação de práticas de manejo e modelagem quantitativa”

Data: de 27 a 29 de setembro/2016

Locais: Sindicato Rural de Rio Verde de Mato Grosso (Av. Barão do Rio Branco, 130 – Centro) e Serra Verde Hotel (Rodovia BR 163, km 678  – s/n)
Programação

27 de setembro, terça-feira

Local: Sindicato Rural de Rio Verde de Mato Grosso

09h-11h – Palestra: “O inquérito soroepidemiológico sobre a Anemia Infecciosa Equina realizado no estado do Mato Grosso” – Marcelo Barros (INDEA – MT) e Daniel Moura de Aguiar (UFMT)

11h-13h – ALMOÇO

13h-15h – Mesa redonda: “Perspectivas para a realização de um inquérito soroepidemiológico sobre Anemia Infecciosa Equina e Mormo no Mato Grosso do Sul”. Convidados: Pesquisadores da equipe do projeto, representantes da IAGRO, FAMASUL e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

19h-20h30 – Palestra: “A Resenha dos Equinos” – Adalgiza Souza Carneiro de Rezende (UFMG)

20h30-21h – INTERVALO

21h-22h – Palestra: “O Núcleo de Criação de Cavalos Pantaneiros da Embrapa Pantanal” e divulgação do livro “Cavalo Pantaneiro: Rústico por Natureza” – Sandra Aparecida Santos (Embrapa Pantanal)

28 de setembro, quarta-feira

Local: Serra Verde Hotel

Apresentação das atividades realizadas pela equipe do projeto no período de abril/2015 a setembro/2016, verificação dos resultados previstos e discussão de possibilidades para a continuidade da linha de pesquisa.

08h-09h – Plano de Ação 2: “Caracterização, diagnóstico molecular e análise filogenética do vírus da anemia infecciosa equina (AIE) do Pantanal” – Erna Geessien Kroon (UFMG) e João Pessoa Araujo Jr. (UNESP – Botucatu)

09h-10h – Plano de Ação 3: “Desempenho funcional comparativo de cavalos ´sadios´ versus cavalos ´anêmicos´ no Pantanal” – Sandra Aparecida Santos (Embrapa Pantanal) e Adalgiza Souza Carneiro de Rezende (UFMG)

10h-10h30 – INTERVALO

10h30-11h30 – Plano de Ação 4: “Práticas de manejo para prevenção da transmissão iatrogênica da AIE no Pantanal” – Márcia Furlan Nogueira (Embrapa Pantanal)

11h30-14h – ALMOÇO

14h-15h – Plano de Ação 5: “Uso de epidemiologia matemática e de técnicas de aprendizado de máquina para análise da dinâmica de transmissão da Anemia Infecciosa Equina no Pantanal” – Urbano Gomes Pinto de Abreu (Embrapa Pantanal) e Sônia Ternes (CNPTIA)

15h-16h – Plano de Ação 6: “Comunicação e transferência de tecnologia (TT) sobre anemia infecciosa equina (AIE) para públicos estratégicos” – Thiago Coppola (Embrapa Pantanal) e Sandra Mara Araújo Crispim (Embrapa Pantanal)

16h-16h30 – INTERVALO

16h30-17h30- Plano de Ação Gerencial – Márcia Furlan Nogueira (Embrapa Pantanal)

17h30-18h – Discussão sobre conclusões e perspectivas do projeto.

29 de setembro, quinta-feira

Local: Sindicato Rural de Rio Verde de Mato Grosso

19h-19h45 – Palestra: “Como a Anemia Infecciosa Equina afeta o desempenho funcional dos equinos no Pantanal” – Adalgiza Souza Carneiro de Rezende (UFMG)

19h45h-20h30 – Palestra: “Quanto custa controlar a AIE?” – Urbano Gomes Pinto de Abreu (Embrapa Pantanal)

20h30-21h15 – Palestra: “Situação atual do mormo no Mato Grosso do Sul” – Kelly Noda Gonçalves (IAGRO)

21h15 – Encerramento e confraternização

 

https://www.youtube.com/embed/C2slyyXpoVI

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