Lula é indiciado pela PF por propina de R$ 20 mi para sobrinho, diz revista

A PF (Polícia Federal) indiciou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo crime de corrupção, por suspeita de que a empresa Exergia, cujo sócio era Taiguara Rodrigues, sobrinho do petista, tenha recebido propina de R$ 20 milhões da empreiteira Odebrecht em Angola. Para a PF, a influência de Lula teria possibilitado o acordo. As informações […]

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05 out 2016 Por R7 14h00

Taiguara Rodrigues deu explicações à CPI do BNDES em 2015 Lucio Bernardo Junior/Câmara dos Deputados

A PF (Polícia Federal) indiciou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo crime de corrupção, por suspeita de que a empresa Exergia, cujo sócio era Taiguara Rodrigues, sobrinho do petista, tenha recebido propina de R$ 20 milhões da empreiteira Odebrecht em Angola.

Para a PF, a influência de Lula teria possibilitado o acordo. As informações foram divulgadas pela revista Época nesta quarta-feira (5). Taiguara é filho de um amigo de Lula, Jacinto Ribeiro dos Santos, o Lambari. Jacinto é irmão da primeira mulher do ex-presidente, que já morta.

De acordo com a publicação, Lula foi “indiciado por corrupção passiva, uma vez que a PF concluiu que os contratos de Taiguara só aconteceram em razão do parentesco e das relações da empreiteira com Lula, além dos documentos que citam o próprio ex-presidente no negócio. Já seu sobrinho e sete executivos da empreiteira, incluindo Marcelo Odebrecht, foram indiciados por corrupção e lavagem”.

A decisão de indiciar Lula decorre de cinco meses de invesrtigação na Operação Janus, da PF. Taiguara foi alvo de um mandado de busca e apreensão em maio deste ano. Entre as provas apreendidas pela PF, está uma espécie de diário encontrado no computador de Taiguara, em que o sobrinho de Lula registrava as negociações em arquivos do programa Word.

Entre os textos há um registro de 2009, quando Taiguara descreve uma reunião. Época diz que “ele esteve em Brasília para conversar com o tio. Registrou até a duração do encontro: 50 minutos. Taiguara resumiu a resposta de Lula, dizendo que ele deu ‘carta branca’ para os negócios em Angola”.

Lula já é acusado pelo Ministério Público Federal no caso do triplexAriadne Barroso/15.09.2016/Photo Press/Folhapress

Taiguara afirmou à CPI do BNDES em outubro do ano passado que sua empresa, a Exergia Brasil, recebeu entre US$ 1,8 milhão e US$ 2 milhões por serviços prestados à Odebrecht.

O valor era referente à obra de ampliação e modernização da hidrelétrica de Cambambe, em Angola. A Polícia Federal já investigava se os pagamentos à empresa de Taiguara foram utilizados para o recebimento de propinas.

Na ocasião, o executivo falou por quatro horas à comissão e disse que o valor é referente a serviços de sondagem, avaliação da topografia e gerenciamento de obras prestados pela empresa. Segundo ele, todos os contratos foram obtidos por meio de licitações dentro da empreiteira.

Triplex do Guarujá

Esta não é a primeira vez que o ex-presidente Lula é indiciado pela PF. Em agosto, o petista foi indiciado no inquérito que investiga o triplex do Condomínio Solaris no Guarujá, litoral paulista. O ex-presidente é suspeito de crimes como corrupção passiva, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

Na mesma ação, também foram indiciados a ex-primeira-dama Marisa Letícia — por corrupção e lavagem de dinheiro — e o ex-presidente do Instituto Lula Paulo Okamotto.

Em seguida, o MPF (Ministério Público Federal) apresentou denúncia contra o ex-presidente e a mulher dele, dona Marisa Letícia, por causa do apartamento do Guarujá. Outras seis pessoas também são acusadas pelo Ministério Público Federal. Até agora, porém, o juiz federal Sérgio Moro ainda não decidiu se Lula, dona Marisa e os outros seis vão se tornar réus na Lava Jato.

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