Sindicato repudia processo contra jornalista que divulgou super salário de servidor em Corumbá

Jornalista está sendo processado por ter divulgado salário de servidor da Câmara Municipal de Corumbá

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17 nov 2016 Por Erik Silva 7h42

Corumbá (MS)- O Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso do Sul (Sindjor MS), emitiu nesta quarta-feira (16), uma nota onde repudia veementemente a atitude do servidor público da Câmara Municipal de Corumbá, que abriu processo criminal contra este jornalista, em razão da divulgação de matéria jornalística baseada em informações do Portal da Transparência do referido órgão, onde se revelou que no mês de março deste ano (2016), o contador da casa de Leis teria recebido nada mais nada menos do que R$45.769,87, como vencimentos. Segundo a nota, o sindicato entende que, ao dar notoriedade ao fato, o jornalista cumpriu com o dever da profissão sem em nenhum momento, ultrajar o código de ética que rege os profissionais de jornalismo no Brasil.

Ainda conforme o SindJor MS, o fato levado a juízo pode ser considerado uma tentativa de punição com nítido intuito de intimidação, e que o feito “põe em risco o direito de acesso à informação de relevante interesse público”, ressalta a nota.

A direção do site Folha MS que ao longo de seus dois anos de existência, sempre prezou pela qualidade e veracidade dos fatos divulgados, reforça o compromisso com os leitores na isenção e imparcialidade das matérias veiculadas. Acreditamos que a liberdade de imprensa estabelece um ambiente no qual, sem censura ou medo, várias opiniões e ideologias podem ser manifestadas e contrapostas.

Ainda neste sentido, o jornalismo exercido de forma livre, é um importante aliado na luta pelos direitos de cada cidadão, que só é exercido se de fato lhe for dado em conhecimento.  Por isso, continuamos firmes, nos dizeres de Rui Barbosa, que diz;  “a palavra aborrece tanto os Estados arbitrários, porque a palavra é o instrumento irresistível da conquista da liberdade”, Que o apoio a democracia, o respeito a diversidade de pensamentos e sobre tudo a liberdade de imprensa sirvam como base, na garantia de que vivemos de fato, em um país democrático.

 

Confira a nota na íntegra

 

NOTA DE REPÚDIO 

A diretoria do Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso do Sul (Sindjor-MS) vem por meio deste repudiar a atitude de servidor público ao aplicar processo judicial contra o jornalista, editor-chefe do site Folha MS, Érik Silva, por ter revelado o super salário de ocupante do cargo de contador na Câmara de Vereadores de Corumbá, município distante 426 km de Campo Grande.

Baseado em dados colhidos diretamente no Portal da Transparência, o jornalista chegou à informação de que o profissional lotado no órgão Legislativo recebeu em março vencimentos de “nada mais nada menos do que R$45.769,87”. Por causa da reportagem (veja aqui), publicada em 21 de abril, o comunicador está sendo processado por calúnia, injúria e difamação.

O Sindjor-MS compreende que o jornalista não descumpriu o Código de Ética do Jornalistas Brasileiros ao dar publicidade a este fato, inclusive, honrou com o disposto no parágrafo II do artigo 6º que põe como dever do jornalista a divulgação de fatos e informações de interesse público.

Levando em conta que o jornalista se baseou em informações públicas para embasar o material, a tentativa de puni-lo e intimidá-lo põe em risco o direito de acesso à informação de relevante interesse público que, conforme o artigo 2º do Código de Ética do Jornalistas, é um direito fundamental dos profissionais, não podendo admitir que ele seja impedido por nenhum tipo de interesse, razão por que, conforme o parágrafo IV, “a prestação de informações pelas organizações públicas e privadas, incluindo as não governamentais, é uma obrigação social”.

O sindicato não admitirá que profissionais sejam intimidados e injustiçados no exercício da profissão. Por isto, a entidade se solidariza com a situação do jornalista e se coloca a disposição para dar todo apoio necessário.

A Diretoria

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