Vistoria do Ministério Público encontra medicamento vencido e falta de itens básicos no Hospital de Corumbá

MPF afirma que Santa Casa e PS de Corumbá ainda apresentam problemas de estrutura e não controlam a presença de médicos

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01 dez 2016 Por Erik Silva 17h24

 

Homem foi levado ao pronto-socorro em uma caminhonete preta / Foto: Arquivo Folha

Vistoria foi feita na Santa Casa e Pronto-Socorro / Foto: Arquivo Folha

Corumbá (MS)- Falta de papel higiênico a itens básico de saúde, este foi o cenário encontrado por membros do Ministério Público Federal, durante uma vistoria realizada na tarde desta quarta-feira (30), no único hospital público e ainda no pronto-socorro da Santa Casa de Corumbá, que atualmente funciona com recursos denominados Tripartite, mas sob gestão da prefeitura. De acordo com o MPF, a diligência faz parte de uma investigação ampla conduzida pela instituição para apurar notícias de irregularidades na prestação de serviço público de saúde para a população.

Membros do MPF passaram a manhã realizando vistoria e encontraram diversas irregularidades / Fotos: Divulgação

Membros do MPF passaram a manhã realizando vistoria e encontraram diversas irregularidades / Fotos: Divulgação

Durante toda a manhã, promotores acompanhados por policiais federais, visitaram os principais setores da Santa Casa, da recepção até a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), passando pela ala de pediatria, pelo almoxarifado e pelo setor de esterilização.

Foram constatados diversos problemas de estrutura nos prédios inspecionados. Ficou claro, por exemplo, que muitas das alas do hospital não dispõem de condições mínimas de refrigeração, importantes principalmente em razão do calor do verão corumbaense, com temperaturas acima dos 40º C. Paredes com buracos, falta de higienização e má gestão do lixo também foram verificadas na visita.

banheiro não possui Itens básicos como papel higiênico, sabonete e álcool em gel

banheiro não possui Itens básicos como papel higiênico, sabonete e álcool em gel

Medicamentos vencidos

Um dos fatos indignou a comissão que inspecionava o Pronto-Socorro onde foram encontrados medicamentos estragados, misturados a medicamentos ainda dentro da validade. Até mesmo medidas de baixo custo pareceram não estar sendo tomadas: em muitos dos banheiros do hospital, não havia sequer itens básicos, como papel higiênico, sabonete e álcool em gel. Alguns dos pacientes ouvidos chegaram, inclusive, a afirmar que estão trazendo de suas próprias casas alguns produtos de higiene que deveriam, na realidade, ser disponibilizados pelo hospital.

Medicamento com prazo de validade vencida foi encontrado em meio a medicamentos ainda em uso

Medicamento com prazo de validade vencida foi encontrado em meio a medicamentos ainda em uso

Médicos sem controle de ponto

Outro problema verificado foi de falhas no controle de presença dos médicos que atendem no hospital. Na recepção, por exemplo, não há qualquer quadro público de presença, que permita à população saber quem é o médico responsável que deveria estar no plantão em dado turno. Falta, também, um controle criterioso da entrada e saída dos médicos no local.

Hoje, o controle feito é manual, e os médicos, para comprovar sua presença, apenas precisam assinar uma folha de papel, sem nem mesmo indicar o horário em que entraram e o horário em que saíram de seus postos. Em algumas folhas de ponto analisadas, muitos sequer assinaram presença, mesmo quando alegam que estavam no dia trabalhando no hospital. Deste modo, os órgãos de investigação não conseguem verificar se determinado médico realmente compareceu ao trabalho, nem quando entrou e quando foi embora do local.

Denúncias

Segundo o MPF, no momento, pelo menos oito processos investigatórios estariam sendo conduzidos pela instituição, advindos de denúncias recebidas de pacientes e até mesmo médicos que atuam na instituição. Ao Folha MS, um médico que pediu para não ser identificado, relata que as condições de trabalho não são adequadas para “boa prática da medicina”, tanto em questões geradas pela falta de equipamentos, medicamentos, materiais de higiene como também a ausência de profissionais nas unidades.

De acordo com o profissional ouvido pelo Folha MS, atualmente existe uma lista com pelo menos 45 itens, que estariam em falta no hospital e pronto-socorro. Um outro profissional médico, tomou uma atitude drástica e resolveu alertar aos pacientes que levassem produtos de higiene de casa caso precisassem de atendimento hospitalar.

Médico alertou população sobre falta de papel higiênico em uma rede social

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